História do Futebol do Rio Grande do Norte

Os clubes do RN no Campeonato Nacional

escudo da Confereação Brasileira de Futebol - CBF

A Taça do Brasil (1959-1968)

  O primeiro torneio nacional de clubes da história do futebol brasileiro foi a chamada Taça do Brasil que durou de 1959 a 1968, que surgiu como uma maneira de se indicar o representante do país na Copa Libertadores da América. Assim, o campeão da Taça do Brasil se classificava automaticamente para a Libertadores. Entre os 16 clubes que participaram da primeira Taça do Brasil em 1959, estava o ABC de Natal. O alvi-negro estrearia em torneios nacionais contra o Ceará no dia 23 de agosto daquele ano, em partida disputada na capital potiguar que acabaria em um empate de 1 a 1. Na segunda partida, em Fortaleza, um novo empate, desta vez sem gols, classificaria a equipe cearense para a próxima fase do certame.

  O ABC participaria sem maior destaque das Taças do Brasil dos anos subsequentes até 1963. Em 1964 e 1965, representaria o estado, a equipe do Alecrim, que seria eliminada pelo Campinense-PB nas suas duas participações. Em 1966 e 1967, o ABC seria desclassificado ainda na primeira fase, e em 1968, na última Taça do Brasil, tivemos a única participação do América que cairia na primeira fase diante do Piauí.

  O Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou Taça de Prata, que viria a seguir e que seria disputado até 1970, não teve participação de nenhum clube potiguar.

 

O Campeonato Nacional

  Porém em 1971, surgiria o primeiro campeonato nacional propriamente dito, cuja primeira divisão seria vencida pelo Atlético Mineiro, sem a presença de nenhum clube do Rio Grande do Norte. O ABC teria a primazia de participar do primeiro campeonato brasileiro, jogando pela primeira divisão, em 1972. Seu jogo de estréia foi um empate de 0 a 0, em Natal, contra o CRB de Alagoas, em 10 de setembro. Após 25 partidas, sendo 5 vitórias, 7 empates e 13 derrotas, o ABC acabaria em último lugar entre as 7 equipes que disputavam o grupo B, e no 23º lugar geral entre as 26 equipes que lutavam pelo título daquele ano. Neste campeonato, Alberi, foi eleito pela revista Placar, o melhor centroavante do Brasil, sendo-lhe concedido o troféu Bola de Prata. Contudo, por ter utilizado três jogadores de maneira irregular numa partida contra o Botafogo-RJ, o ABC acabaria suspenso do campeonato brasileiro por dois anos.

  De 1973 a 1975, foi a vez do América participar do Nacional. No primeiro ano, o alvi-rubro terminaria o campeonato em 25º lugar entre 40 clubes. Importante lembrar que naquele ano, 1973, durante a primeira fase do campeonato nacional, o América foi o melhor clube do Norte-Nordeste no confronto direto contra outros clubes das duas regiões, sendo-lhe então auferido o troféu Norte-Nordeste, também chamado de Taça Almir, promovido pela revista Placar. Este troféu, contudo, não é reconhecido oficialmente pela CBF. Durante a sua campanha para fazer jus ao troféu, o América disputou 7 jogos, vencendo 4 e empatando 3. Marcou 11 gols e tomou 4 (campanha: 0x0 Rio Negro-AM; 2x0 Sergipe-SE; 2x0 Ceará-CE; 2x2 Santa Cruz-PE; 2x1 Remo-PA; 1x1 Vitória-BA e 2x0 Náutico-PE). No ano seguinte, 1974, o América finalizaria o campeonato brasileiro em 32º lugar. Em 1975, o clube faria uma boa campanha e terminaria em 24º lugar entre 42 clubes.

  Em 1976, em um campeonato com 54 clubes, o estado teve dois representantes na elite do futebol brasileiro. O América terminaria o campeonato no 34º lugar e o ABC em 51º. No ano seguinte, com o absurdo de 62 clubes disputando a primeira divisão brasileira, o América faria memorável campanha ao finalizar na 17ª posição. O ABC ficaria em 34º.

  Nos anos seguintes, os clubes potiguares frequentariam sem maiores destaques a primeira divisão do campeonato brasileiro. Entre 1978 e 1979, ABC e América representaram o estado. De 1980 a 1983, foi a vez do América. Em 1984 e 1985, novamente o ABC. Em 1986, América e Alecrim. Em 1987, dentro do conturbado formato da chamada Copa União, o América e o ABC disputaram o grupo C do módulo branco, considerado um torneio de terceira divisão. Nele, o América chegaria a avançar até a terceira fase da competição, caindo diante do Botafogo-PB.

  A partir de 1988 com a instituição da Série A no campeonato brasileiro com número restrito de clubes, o Rio Grande do Norte deixou de participar da elite do futebol brasileiro. O retorno só se daria em 1997, após o histórico vice-campeonato do América na série B do ano anterior. Com uma campanha razoável, onde se destacava o zagueiro artilheiro Gito, o alvi-rubro da Rodrigues Alves terminaria em 16º lugar entre 26 clubes, conseguindo se manter na primeira divisão para o ano seguinte. Contudo, em 1998, o América ficaria com o último lugar da Série A entre 24 times, e seria relegado de volta à Série B.

  Com a vitória do Baraúnas de Mossoró na Copa RN de 2004, este clube se classificaria para a Série C em 2005. Naquilo que pode ser descrito como um grande golpe para o futebol potiguar, em 2004, foi a vez do América após uma desastrosa campanha na Série B, também ser rebaixado melancolicamente para a série C do campeonato brasileiro.

   Porém no ano seguinte, o América surpreenderia e acabaria conquistando o vice-campeonato da série C, ficando atrás apenas do Remo-PA. Com a conquista, o time alvi-rubro asseguraria o seu retorno à série B em 2006 (ver campanha mais adiante). Naquele campeonato de 2005, o ABC acabaria eliminado nos pênaltis em Campina Grande pelo Treze-PB, nas oitavas de final, correspondente à terceira fase do campeonato. Quanto ao Baraúnas, outro representante potiguar na série C daquele ano, a sua eliminação veio ainda na primeira fase, depois de ficar em último lugar num grupo que tinha também Treze-PB, ABC-RN e ASA-AL.

    O América voltaria a fazer uma bela campanha na Série B em 2006, ficando em 4º lugar entre os 20 clubes participantes, assegurando assim o seu retorno à elite do futebol nacional, ou à Série A. Porém, a campanha do América na Série A em 2007 se revelaria desastrosa com o time terminando a competição em último lugar e sendo rebaixado de volta à Série B. Naquele campeonato, o América chegou a sofrer 29 derrotas em 38 partidas disputadas, registrando apenas 4 vitórias. Por sua vez, o ABC brilharia na Série C em 2007, ficando na 4ª posição entre 64 clubes participantes, carimbando o seu passaporte de volta à Série B do Campeonato Nacional. Naquele ano, o craque alvinegro Wallysson ficaria em terceiro lugar na tábua de artilheiros com 16 gols marcados. Além disso, o ABC foi o time com o maior número de vitórias registradas na competição: foram 19 no total.

 

 

O vice-campeonato brasileiro do América na série B em 1996

  Uma das mais importantes conquistas do futebol potiguar foi o vice-campeonato da série B do campeonato brasileiro obtido pelo América no ano de 1996. Com aquele feito, o América conseguiu acesso ao grupo de elite do futebol brasileiro, a série A, onde permaneceria pelos dois anos seguintes. Naquela ocasião, a série B foi disputada por 25 clubes, sendo que o ABC e o América estavam entre eles. Esses clubes foram divididos em 5 grupos de 5 clubes cada, cabendo ao América o grupo B, ao lado de Santa Cruz (PE), Náutico (PE), CRB (AL) e Central (PE), todos clubes nordestinos. Com 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, o América acabou esta fase em segundo lugar.

  Classificado para as oitavas-de-final, o América suplantaria o Atlético (GO). Na primeira partida, o Atlético venceu por 3 a 2. Na partida de volta, em Natal, o escrete americano bateu o time goiano por 2 a 0. Nas quartas-de-final, o América eliminou o Moto Clube (MA), após uma goleada de 4 a 0 em Natal. No jogo anterior, estes clubes haviam empatado sem gols em São Luís. Os quatro clubes finalistas foram então agrupados em uma chave única onde todos jogavam contra todos.

  Nessa fase final, o América fez valer como nenhum outro de seus adversários na chave, a vantagem de jogar em casa, obtendo um aproveitamento de 100 % nas partidas disputadas em Natal. Foram três vitórias contra Londrina (PR), por 2 a 1, Náutico (PE), por 1 a 0, e União São João (SP), por 2 a 1. Os nove pontos conquistados com estas vitórias foram suficientes para assegurar o vice-campeonato da competição, bem como a classificação do clube potiguar para a série A, uma vez que nas outras três partidas jogadas fora de casa, o América foi derrotado. Naquele campeonato, o clube natalense era comandado em campo pelo meia Moura, e tinha como técnico, Ferdinando Teixeira. Sua base era formada por Jorge Pinheiro, Marquinhos (Tiê), Carlos Mota, Gito e Mingo; Washington Lobo, Carioca, Moura e Biro-Biro; Naldo e Wanderley.

 

O vice-campeonato brasileiro do América na série C em 2005

   Após uma queda melancólica para a série C em 2004, o América de Natal se recuperaria de maneira surpreendente no segundo semestre de 2005 para abocanhar o vice-campeonato da série C e assegurar o seu retorno para a série B em 2006.

   Na campanha histórica de 2005, o América estreou na primeira fase jogando pelo grupo 6 ao lado de Coruripe-AL, Nacional de Patos-PB e Vitória-PE. O alvi-rubro iniciaria a sua campanha com derrota para o Vitória-PE, em Vitória de Santo Antão, por 2 a 0. Em Natal, o América bateria a seguir o Nacional por 2 a 1, para em seguida perder em casa por 1 tento a 0 para o Coruripe. O América ainda perderia os dois jogos seguintes, todos fora de casa, para o Coruripe (1 a 2) e para o Nacional (0 a 1). No fechamento da primeira fase, o time vermelho de Natal derrotaria inpelavelmente o Vitória por 4 a 0. Com apenas 2 vitórias em 6 jogos, o América estaria eliminado se não fosse a perda de 6 pontos pelo Nacional de Patos por ter escalado um jogador irregular, Alisson, contra o Vitória de Santo Antão. Assim, o América ganharia os pontos da partida contra o Nacional, e com 9 pontos no total, acabaria classificando-se em segundo lugar no grupo e com o bilhete para a fase seguinte.

   Na segunda fase, o América eliminou o Ferroviário-CE (2 a 1 e 3 a 3). Em seguida, já na terceira fase, foi a vez do Coruripe-AL (1 a 1 e 3 a 1). Nas quartas-de-final, o América bateria o Treze-PB (2 a 0 e 1 a 2), classificando-se para o quadrangular final. No quadrangular final, o América jogaria contra Remo-PA (1 a 0 e 0 a 2), Ipatinga-MG (2 a 1 e 0 a 0) e Novo Hamburgo-RS (1 a 2 e 4 a 2). Ao final desta etapa, com o mesmo número de pontos do Remo (10), mas com o saldo positivo de um gol contra dois gols do time paraense, o escrete potiguar acabaria em segundo lugar, garantindo assim o seu retorno à série B em 2006.

   Na reta final daquele campeonato, o América foi dirigido por Luís Carlos Martins. Outros técnico, Artur Neto, também participaria da campanha. Na final contra o Ipatinga, o América formou com Fabiano, Eduardo, Rogério, Robson e Renan, Sandro, Claudinho, Helder e Leandro Sena, Evandro e Paulinho Marília. Foram destaques ainda da campanha de 2005, os atacantes Paulinho Kobayashi e Bibi.

carreata
As carreatas voltaram durante a Série C/2005
clique na foto para ver mais fotos da festa de classificação para Série B/2006

 

Resumo da participação dos clubes do RN no campeonato brasileiro

Taça do Brasil

1959: ABC (eliminado na primeira fase)
1960: ABC (eliminado nas semifinais do grupo da região Norte-Nordeste)
1961: ABC (eliminado na primeira fase do grupo da região Norte-Nordeste)
1962: ABC (eliminado na primeira fase do grupo da região Nordeste)
1963: ABC (eliminado na primeira fase do grupo da região Nordeste)
1964: Alecrim (eliminado na primeira fase do grupo da região Nordeste)
1965: Alecrim (eliminado na primeira fase do grupo da região Nordeste)
1966: ABC (eliminado na primeira fase do grupo da região Nordeste)
1967: ABC (terceiro colocado no grupo do Nordeste – eliminado)
1968: América (segundo colocado do grupo 2 da zona do Norte-Nordeste – eliminado)

 

Campeonato Nacional (1ª divisão)

1972: ABC (23º lugar)
1973: América (25º lugar)
1974: América (32º lugar)
1975: América (24º lugar)
1976: América (34º lugar) e ABC (51º lugar)
1977: América (17º lugar) e ABC (34º lugar)
1978: ABC (45º lugar) e América (60º lugar)
1979: ABC (51º lugar) e América (85º lugar)
1980: América (34º lugar)
1981: América (33º lugar)
1982: América (39º lugar)
1983: América (28º lugar)
1984: ABC (28º lugar)
1985: ABC (34º lugar)
1986: América (44º lugar) e Alecrim (70º lugar)
1997: América (16º lugar)
1998: América (24º lugar)
2000: Copa João Havelange – ABC (44º lugar), América (47º lugar) e Potiguar-M (112º lugar)
2007: América (20º lugar)

 

Campeonato Nacional (2ª divisão)

1971: ABC (eliminado na primeira fase)
1972: América (eliminado na segunda fase) e Alecrim (eliminado na primeira fase)
1980: ABC e Baraúnas (eliminados na primeira fase)
1981: ABC (eliminado na primeira fase)
1982: Baraúnas (eliminado na primeira fase)
1983: Alecrim (eliminado na primeira fase)
1984: América (eliminado na primeira fase)
1985: América (eliminado na primeira fase)
1989: ABC (24º lugar)
1991: ABC (7º lugar) e América (25º lugar)
1992: ABC (eliminado na primeira fase)
1994: América (eliminado na segunda fase)
1995: América (eliminado na segunda fase)
1996: América (vice-campeão) e ABC (eliminado na primeira fase)
1997: ABC (eliminado nas oitavas de final)
1998: ABC (eliminado na segunda fase)
1999: ABC (14º lugar) e América (21º lugar)
2001: América (7º lugar do grupo NNE) e ABC (13º lugar do grupo NNE)
2002: América (10º lugar)
2003: América (11º lugar)
2004: América (19º lugar)
2006: América (4º lugar)

Ingresso da última partida em Natal
Ingresso da última partida  em Natal, Série B-2004
clique aqui para ver tabela com todos os jogos do América

 

Campeonato Nacional (3ª divisão)

1981: Baraúnas (eliminado na segunda fase)
1988: ABC (eliminado na segunda fase), América e Alecrim (eliminados na 1ª fase)
1990: América (eliminado na semifinal)
1994: ABC (eliminado nas quartas-de-final)
1995: ABC (eliminado nas 4ª-de-final), Potiguar-M e Alecrim (eliminados na 1ª fase)
1996: Potiguar-M (eliminado na terceira fase) e Pauferrense (eliminado na 2ª fase)
1997: Potiguar-M (eliminado na primeira fase)
1998: Potiguar-M (eliminado na terceira fase) e Baraúnas (eliminado na primeira fase)
1999: Potiguar-M (eliminado na segunda fase)
2001: São Gonçalo (eliminado na segunda fase) e Corintians (eliminado na 1ª fase)
2002: ABC (eliminado nas quartas-de-final)
2003: ABC (eliminado na segunda fase) e São Gonçalo (eliminado na primeira fase)
2004: Potiguar-M e Baraúnas (eliminados na primeira fase)
2005: América (vice-campeão), ABC (eliminado nas oitavas de final) e Baraúnas (eliminado na primeira fase)
2006: Baraúnas e Potiguar-M (ambos eliminados na primeira fase)
2007: ABC (4º lugar) e Potiguar-M (eliminado na primeira fase)

 

Os clubes do RN na Copa do Brasil

  A Copa do Brasil foi criada em 1989 com o objetivo de acalmar os clubes de estados brasileiros que haviam sido excluídos da Série A do campeonato brasileiro desde a criação da Copa União em 1987. Assim, o campeão da Copa do Brasil passaria também a ter uma vaga garantida na Copa Libertadores da América.

  Entre 1989 e 1994, tinham o direito de participar da competição os campeões de cada estado e os vices dos estados com maior média de público. No total, jogavam 32 times. Na sua primeira participação, de maneira lamentável, o América caiu duas vezes diante do Atlético-MG, 3 a 0 e 7 a 0. No ano seguinte, 1990, o América cairia diante do Santa Cruz de Recife, ainda na primeira fase. Em 1991, o ABC foi desqualificado pelo Cruzeiro e em 1992, o América soçobrou eliminado pelo Corinthians. Em 1993, o Flamengo-RJ desclassificaria o América. No ano seguinte, o ABC perderia para o Vasco da Gama. Os insucessos dos clubes potiguares na Copa do Brasil se sucediam naqueles idos.

  Entre 1995 e 1996, as regras mudaram um pouco, aumentando o número de participantes para 36 e 40 clubes respectivamente. No primeiro ano, o ABC caiu cedo diante do Palmeiras. No seguinte, o alvi-negro foi goleado impiedosamente pelo Corinthians-SP, 4 a 0, e teve de pular fora.

  A partir de 1997, a CBF passa a convidar alguns times para participar da Copa do Brasil, em adição aos 32 clubes tradicionais. Naquele ano, o América perderia para a Portuguesa-SP. Em 1998, ABC e América participariam do turno preliminar. O ABC seria eliminado pelo Fluminense-RJ, enquanto o América seria batido pelo Linhares-SP. No ano seguinte, 1999, o ABC cairia diante do Grêmio, enquanto o América passaria pelo CRB, para ser eliminado na segunda fase diante do Vasco da Gama.

  No ano 2000, tanto o ABC quanto o América avançariam inéditas quatro fases dentro da competição, para serem eliminados nas oitavas-de-final diante de Palmeiras e São Paulo, respectivamente. No ano seguinte, o América cairia na fase inicial diante do Bahia, enquanto o ABC chegaria à segunda fase para então perder para o Flamengo-RJ.

  Em 2002, pela primeira vez, tivemos a participação de um clube do interior potiguar na Copa do Brasil. O Coríntians de Caicó, então campeão estadual, que seria eliminado pelo Bahia na fase inicial. O América, por sua vez, perderia na fase seguinte diante do mesmo Bahia. Em 2003, com os mesmos clubes potiguares, o América seria eliminado na segunda fase pelo Náutico-PE, enquanto o Coríntians de Caicó também perderia somente na segunda fase para o Cruzeiro-MG, após ter eliminado o Santa Cruz de Recife na primeira rodada. Em 2004, América e São Gonçalo cairiam diante de Ferroviário-CE e Prudentópolis-PR, respectivamente, ainda na primeira fase da Copa do Brasil.

  Porém, no ano de 2005, o Baraúnas faria uma destacada campanha ao atingir as quartas-de-final da Copa do Brasil. Na primeira fase, o time mossoroense eliminaria o América-MG. Veio a segunda fase, e foi a vez de mandar o Vitória-BA de volta para casa. Nas oitavas-de-final, o Baraúnas conseguiria uma histórica vitória sobre o Vasco da Gama em pleno estádio São Januário por 3 a 0, classificando-se assim para as quartas-de-final, quando sucumbiria enfim diante do Cruzeiro-MG. O oitavo lugar do Baraúnas na Copa do Brasil 2005 foi a melhor colocação de um clube do Rio Grande do Norte na história daquela competição. O outro representante do estado naquele campeonato, o Potiguar de Mossoró, cairia diante do Santa Cruz de Recife ainda na primeira fase. Alguns dizem que o feito do Baraúnas pode ser considerado equivalente ao realizado pelo ABC e pelo América em 2000. Porém, apesar de terem avançado também quatro fases na Copa do Brasil de 2000, o ABC e o América estavam disputando uma competição em que a quarta fase era equivalente às oitavas-de-final, onde ainda haviam 16 clubes lutando pelo título. Por sua vez, na Copa do Brasil de 2005, disputado por 64 clubes, a quarta fase equivalia às quartas-de-final, com apenas 8 clubes remanescentes. Portanto, o Baraúnas esteve mais perto do título da Copa do Brasil do que qualquer outro clube do futebol potiguar jamais esteve.

   Em 2006, o ABC e o Potiguar-M foram os representantes do Estado na Copa do Brasil. Naquela ocasião, o ABC foi eliminado pelo Flamengo (RJ), na segunda fase, e o Potiguar-M caiu diante do Guarani de Campinas, também na segunda fase. Já em 2007, os representantes foram Baraúnas e América. O Baraúnas foi logo eliminado na primeira fase pelo Vitória-BA, enquanto o América ainda alcançou a segunda fase, quando foi derrotado pelo Fluminense (RJ). No ano de 2008, classificaram-se para a Copa do Brasil, ABC e Baraúnas, sendo ambos alijados ainda na primeira fase. O ABC foi eliminado bisonhamente pelo Madureira (RJ) após dois empates e decisão nos pênaltis. O Baraúnas, por sua vez, caiu diante do Criciúma (SC).       

 


Resumo da participação dos clubes do RN na Copa do Brasil

(entre parênteses, a fase alcançada na competição pelo clube)

1989: América (primeira fase)
1990: América (primeira fase)
1991: ABC (primeira fase)
1992: América (primeira fase)
1993: América (primeira fase)
1994: ABC (primeira fase)
1995: ABC (primeira fase)
1996: ABC (primeira fase)
1997: América (primeira fase)
1998: ABC e América (ambos no turno preliminar)
1999: América (segunda fase) e ABC (primeira fase)
2000: ABC e América (ambos atingiram as oitavas-de-final)
2001: ABC (segunda fase) e América (primeira fase)
2002: América (segunda fase) e Coríntians (primeira fase)
2003: América e Coríntians (ambos atingiram a segunda fase)
2004: América e São Gonçalo (primeira fase)
2005: Baraúnas (quartas-de-final) e Potiguar-M (primeira fase)
2006: ABC e Potiguar-M (ambos na segunda fase)
2007: América (segunda fase) e Baraúnas (primeira fase)
2008: ABC e Baraúnas (primeira fase)

 

Os clubes do RN na Copa do Nordeste: o título do América de 1998

  Foi no torneio regional chamado de Copa do Nordeste que o futebol do Rio Grande do Norte ganhou o seu mais importante título da história: o campeonato de 1998, conquistado pelo América Futebol Clube, de Natal. As origens deste campeonato, porém, remontam a 1946, quando foi disputado o primeiro torneio regional envolvendo as regiões Norte e Nordeste do país, que teve naquele ano a vitória do Fortaleza-CE. Este torneio foi disputado somente mais duas vezes, sem que os clubes potiguares se destacassem.

  Em 1968, a CBD criou a Copa Norte-Nordeste que duraria apenas três anos. Na primeira edição, ABC e Alecrim fizeram uma tosca campanha e acabaram eliminados ainda na primeira fase. No ano seguinte, ABC e América não tiveram melhor sorte. Em 1970, com três clubes participantes (ABC, América e Alecrim), o futebol potiguar foi incapaz de alcançar o quadrangular final. Sobre a conquista da Taça Almir pelo América em 1973, este não era um campeonato oficial reconhecido pela então CBD, como pode ser visto com mais detalhes na seção "os clubes do RN no campeonato nacional" desta História do Futebol do RN.

  A Copa do Nordeste, propriamente dita, sem os clubes da região Norte, só seria implantada pra valer em 1997, quando os potiguares foram representados por ABC e América. O América seria eliminado ainda na primeira fase pelo Ceará. O ABC, porém, depois de eliminar o Ferroviário-CE na primeira fase, cairia na rodada seguinte diante do Sport Recife, que se sagraria campeão do torneio daquele ano.

  Em 1998, viria enfim a glória de um grande título, que seria alcançado pelo América-RN em um torneio bastante disputado. No playoff final, o América perderia a primeira partida em Salvador para o Vitória-BA, por 2 a 1, para em seguida, vencer em casa pelo placar de 3 a 1. Na sua campanha rumo ao título, o alvi-rubro venceu 9 partidas, empatou uma e perdeu 4 jogos. O jogador do América Paulinho Kobayashi seria o artilheiro do certame com 9 gols. A partida final foi disputada numa inesquecível noite chuvosa de 4 de junho de 1998, e o América formaria com Gabriel, Gilson, Paulo Roberto (André), Lima e Rogerinho, Montanha, Carioca, Moura e Biro-Biro, Paulinho Kobayashi e Leonardo (Vanderlei). O técnico era Arthurzinho. O árbitro da partida era o pernambucano Wilson de Souza Mendonça. Os gols americanos foram anotados por Biro-Biro, Paulinho Kobayashi e Carioca. Flávio descontaria para o Vitória. O time baiano era treinado por Hélio dos Anjos e tinha o habilidoso jogador sérvio Petkovic em seu elenco.

  Nos anos seguintes, o único destaque seria a artilharia de Leonardo, do ABC, com 6 gols, no campeonato de 2001. Em 2003, a grande maioria das Copas regionais foram extintas com o objetivo de dar maior espaço para os campeonatos estaduais. O único sobrevivente foi o Campeonato do Nordeste, que porém passou a ser bastante afetado por pendengas judiciais e acabou esvaziado. Neste campeonato de 12 clubes, porém sem as maiores forças da região, tanto o ABC como o América chegaram às semifinais da competição. Porém acabariam sendo eliminados por Fluminense-BA e Vitória-BA, respectivamente.

 

Participações dos clubes potiguares na Copa do Nordeste
(entre parênteses, a fase alcançada na competição pelo clube)

1997: ABC (segunda fase); América (primeira fase)
1998: América (campeão); ABC (segunda fase)
1999: América e ABC (ambos na segunda fase) e Baraúnas (primeira fase)
2000: América e ABC (ambos na quartas-de-final)
2001: ABC (6º lugar) e América (15º lugar) – campeonato de pontos corridos
2002: América (8º lugar) e ABC (11º lugar) – campeonato de pontos corridos
2003: América e ABC (ambos foram semifinalistas)

 

O RN no campeonato brasileiro de seleções

  Entre 1922 e 1963, foi disputada aquela que por muito tempo foi considerada a mais importante competição do futebol brasileiro: o campeonato brasileiro de seleções estaduais. Neste campeonato, o critério de inscrição dos jogadores era a sua filiação clubística e não o local de nascimento dos mesmos. Já no final da década de 1950, a importância deste campeonato havia diminuído bastante.

  Neste torneio dominado quase que totalmente ao longo de sua história por cariocas e paulistas, as seleções potiguares tiveram pouco destaque, a exceção de dois campeonatos. O primeiro, disputado em 1934, quando o Rio Grande do Norte chegou às semifinais, sendo eliminado pelo Bahia por 5 a 3, em jogo disputado em Salvador, com arbitragem baiana de honestidade discutível. Vale salientar que naquele ano, houve uma cisão entre os participantes do campeonato de seleções, tendo então acontecido duas competições diferentes, uma vencida pela seleção da Bahia e outra pela seleção de São Paulo.

  E então veio o campeonato de 1960, quando a seleção potiguar alcançou também a semifinal, perdendo o confronto para o então estado da Guanabara. No primeiro jogo, o Rio Grande do Norte seria goleado por 4 a 1. Na segunda partida, empate de 1 a 1. Treinada por Pedrinho Teixeira, a seleção do RN jogava com Ribamar, Biró, Toré, Pádua e Mauro, Sileno, Jorginho e Canindé, Cocó, Saquinho e Aladim. O craque Jorginho era o nosso grande destaque. O forte esquadrão da Guanabara formava com Manga, Joel Martins, Russo, Darcy e Altair, Amaro, Décio Esteves e Pinga, Sabará, Rossi e Babá. O técnico dos cariocas era o mestre Tim, ou Elba de Pádua Lima. O campeonato daquele ano seria vencido pela seleção de São Paulo, que contava em seu elenco com ninguém menos do que Pelé.

  Em 1987, a CBF tentou recriar o torneio que acabou se revelando esvaziado e em redundante fracasso. Naquela ocasião a seleção do Rio Grande do Norte foi eliminada pela seleção do Ceará ainda na primeira fase. Era o fim do campeonato brasileiro de seleções estaduais.

   Nas duas vezes em que atingiu as semifinais do Brasileiro de Seleções, em 1934 e em 1960, o Rio Grande do Norte sagrou-se campeão do Nordeste de Seleções. A mais celebrada destas façanhas foi o título conquistado em 10 de janeiro de 1960 sobre a seleção do Ceará, quando o Rio Grande do Norte após uma vitória de 1 a 0, em Fortaleza, viria a empatar de 2 a 2 no jogo de volta no estádio Juvenal Lamartine, para conquistar a primazia na região Nordeste.

    Nas duas vezes em que atingiu as semifinais do Brasileiro de Seleções, em 1934 e em 1960, o Rio Grande do Norte sagrou-se campeão do Nordeste de Seleções. A mais celebrada destas façanhas foi o título conquistado em 10 de janeiro de 1960 sobre a seleção do Ceará, quando o Rio Grande do Norte após uma vitória de 1 a 0, em Fortaleza, viria a empatar de 2 a 2 no jogo de volta no estádio Juvenal Lamartine, para conquistar a primazia na região Nordeste.

 

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